16.8.06

O CORNETEIRO DE WASHINGTON
O início da década de 70 foi marcado por um dos maiores escândalos políticos da história dos EUA, o Caso Watergate. E você, que é uma pessoa esperta, sabe que foi graças ao brilhante trabalho de investigação dos repórteres Bob Woodward e Carl Bernstein, do Washington Post, que o mundo ficou sabendo do escândalo que culminou com a renúncia do então presidente Richard Nixon. As informações cruciais que levaram à queda do presidente foram
passadas aos repórteres numa garagem pelo famoso Garganta Profunda (Deep Throat), informante que estabeleceu a ligação definitiva de Nixon com o assalto à sede do Partido Democrata. Somente ano passado, após décadas de anonimato, o Garganta Profunda veio a publico e assumiu a sua verdadeira identidade. O informante que ajudara a derrubar o presidente americano era Mark Felt, ex-presidente do FBI à época.

O caso Watergate é um um dos mais célebres da história do jornalismo. Isso você já sabe. o que você não sabe, mas o Around te conta, é que TODAS as
fitas contendo as gravações do caso podem ser ouvidas aqui.

Agradecimentos devem ser endereçados à Universidade de Berkeley. Grato.

14.8.06

UM ENIGMA

Wansclau seria nome de remédio se não estivesse impresso na carteira de trabalho de um senhor que conheci no ônibus, quando voltava para casa.

Tomei a condução ainda no ponto final. A velha máquina, motor roncando para não morrer, se preparava para cair mais uma vez na estrada quando um senhor de voz grave sentou-se atrás de mim. Falando alto, se jogou no banco como um saco de batatas, relinchando feito um cavalo barato. Enxuguei a nuca. Indócil, abriu a janela e mexeu com uma menina que estava do lado de fora. A moça bonitinha, apesar do uniforme roto de colégio estadual, trazia nos olhos o brilho de quem carrega consigo a felicidade. Wansclau, metade da cabeça para fora, jogou-lhe dois galanteios e um beijo estalado, que sumiu ao vento. Um rapaz surgiu na plataforma de embarque, pegou na mão da mocinha, as unhas vermelhas descascando de quem não tem moleza, e a tirou dali: a pequena esperava o namorado. Num instante o casal virou recordação.


Três pisadas no pedal do acelerador e o motorista, quatro botões abertos na blusa, São Jorge de prata boiando num mar de pêlos, tocou para fora do terminal. Wansclau não parava de falar um minuto: ao seu lado um amigo. Jorge entrara correndo, pouco antes de a condução partir. Ambos moravam no Jacaré, lugarejo humilde entre um condomínio de luxo na Região Oceânica e um shopping de gosto duvidoso. Por dois bairros e um engarrafamento de 20 minutos, os amigos conversaram entusiasmados sobre uma caixa de gordura. No final do engarrafamento, o combinado: de pé um churrasco e um mutirão para a obra da tal instalação sanitária. A cerveja era por conta.

O motorista seguia dando trancos no motor como quem doma uma besta enfurecida, a flanela desbotada vez ou outra na testa enxugava o suor. Um cheiro de diesel danado. Wansclau e Jorge, resolvido o problema do esgoto, conversavam agora sobre inferninhos. Jorge, mais experiente, dava dicas de bordéis como quem indica um médico de família: “Bom é o 512, perto da rodoviária”. O ônibus parou. Na escada, uma mulher. Wansclau cutucou o amigo: “Olha a gostosa que vai entrar, homem!”

A morena tinha os olhos levemente puxados. Se não fosse brasileira, arriscaria dizer que era indiana. Filipina não era. Era mais bonita. Talvez japonesa. Era uma graça. Duas braçadas de bunda. A calça não rasgou porque era de qualidade, suponho. Wansclau, olhos de raposa secando o cordeiro indefeso, insistiu: “Que gostosa, homem! Olha a calça como tá enfiada, doida pra levar vara”. Jorge, criado na alcova, sem mudar a respiração que estava calma, falou ao amigo: “'Boniteza' não põe mesa. Na cama é que a gente vê”, e saltou dois pontos à frente, deixando para trás o enigma como uma esfinge maldita. Wansclau não dormiu naquela noite.

10.8.06

DESTINATION SÃO PAULO
Vocês tão aí falando das bandas que o Lucio Ribeiro diz que virão ao Brasil ainda esse ano, acho lindo, mas caguei pra todas elas quando li que os Rezillos tocam no Hangar 110 (SP) em novembro. Tá lá, no site oficial.

É por isso que eu sou FÃ dessa
menina aqui. Lia é FERA! E como se não bastasse ter um blog sensacional, ainda lê as besteiras que escrevo aqui. E diz que gosta. Tá vendo? Se eu ficar metido, a culpa é dela.

O que você está esperando ainda aí, nem? Corre
lá. Tu não sabe o que anda perdendo...

Ah, e o Martini é por conta da casa!

9.8.06

VITAL
Herbert Vianna, óculos pesados de armação preta, se esforça para encaixar a voz no playback. Vez ou outra ela escapa. Bermudinha justa acima do joelho, uma camisa de fazenda vagabunda com um toque de elegância dado pela gravata borboleta, completam o look Daniel Azulay. Baroni está de guitarra (!) em punho. Fingindo que toca como Steve Vai, visivelmente constrangido, pula de um lado pro outro subestimanto a inteligência de quem o assiste: não havia set de bateria no estúdio. Bi Ribeiro parace gostar do corte de cabelo à Ritchie que exibe. Tava na moda.

- Vocês vão cantar que música? - pergunta o apresentador.
- A gente vai cantar essa música que tá tocando aí - Herbert aponta pro playback que entra por cima da inacreditável "entrevista".

Eles ainda participam de uma brincadeira no palco. Enchem bexigas até que uma estoure. Uma menina, em casa, do outro lado da tela, falando com o apresentador ao telefone, ganha uma bicicleta. Antes de desligar, o palhaço solta: "Pode vir aqui agora na TELEVISÃO apanhar a sua bicicleta, amiguinha".

O programa é do Bozo. E a música, "Foi o mordomo".
Com vocês, no picadeiro,
Os Paralamas do Sucesso!

8.8.06

OS QUADRIS NÃO MENTEM
Não entendo como tem gente que não gosta de certos temperos latinos. E como mexe, a cucaracha.
Mexendo assim, nem precisava cantar. Mas canta - e não, não farei rima com trocadilho clichê.

Tá, vai, e ENCANTA!

Foi mais forte do que eu.

3.8.06

A ARTE NA GUERRA

Aos 11 anos, de calça curta e sapato envernizado, meinha branca esticada no tornozelo, ele já tocava na banda da cidade onde morava - Grant City, no estado do Missouri. Adolescente, já no Colorado, dividido entre o futebol americano e a música, começou a manifestar interesse pelas orquestras de baile. Não tardou, montou a sua primeira banda, ainda de forma amadora. Foi na universidade, no entanto, que Glenn Miller decidiu seguir a carreira musical profissionalmente, no comando da Miller Orchestra. As turnês logo se multiplicaram. Todas bem sucedidas, confirmadas pelos salões sempre cheios. As pequenas, sapatinhos de boneca, vestidos comportados, conduzidas pelos cavalheiros, se encantavam. Pois no auge do sucesso, quando os Estados Unidos se preparavam para entrar na Segunda Guerra, Glenn Miller foi atacado por um sentimento nacionalista e, então, com 38 anos, decidiu se alistar nas Forças Armadas Americanas. Sua idade era muito avançada para servir no front e seu pedido fora negado de imediato. Não satisfeito, enviou uma carta ao general Charles Young, do exército, se oferecendo para levar um pouco do swing aos combatentes além-mar. O apelo colou e o maestro logo entrou para a tropa, como capitão. Seu trabalho junto aos combatentes durou pouco mais de um ano. Neste período, dirigiu uma banda formada por 50 oficiais do exército, elevando a moral e trazendo um frescor da América aos soldados servindo na Europa.

O resto da história, que infelizmente não tem um final feliz, você pergunta ao seu avô. Se você não tiver um velhinho que te conte histórias, então deixe que a
wikepedia o faça.

E assim, com Glenn Miller, em grande estilo, finalizamos a série de posts em homenagem a Joel Silveira e a sua cobertura da Segunda Guerra Mundial. Como sugestão, deixo o fabuloso disco
Army Air Force Band, regado a naipe de metais classudos, com arranjos que remetem aos anos dourados americanos. Finesse pura, rapaz.

Como o Around Venus preza pelo seu ÚNICO leitor imaginário, não poderia deixar de disponibilizar uma faixa do disco para download. Então corre e baixa aí
Peggy the pin-up girl, um dos hits entre os militares que voltavam das trincheiras sangrentas. Mas corre que o link expira em uma semana, como de praxe.

31.7.06

DORA
"Os picos dos Apeninos começam a se encapuzar de neve, e os campos e as estradas mais elevadas ja amanhecem cobertos de uma toalha branca da qual se evola um halo de gelo"

* * * *
"O Dora [teco-teco de reconhecimento da FAB] é apenas um pequeno ponto, vagaroso, sobre as montanhas dos alemães. Assim de longe parece uma andorinha de paz, inocente e mansa. A andorinha vai e voa sobre os perigosos cumes do inimigo, mas não leva consigo nenhuma arma. Leva apenas o coração do tentente Taborda, onde se amontoam lembranças tristes de uma porção de amigos perdidos. É o suficiente, acredito"

28.7.06

CHUVA DE PIN-UPS
"Um capitão me fala da 'guerra de propaganda' que diariamente os alemães fazem contra os brasileiros. Os morteiros disparam projéteis que, ao explodirem, despejam sobre as linhas da FEB uma chuva de folhetos coloridos, com retratos de moças seminuas e legendas convidativas. vi alguns desses folhetos, e num deles, como legenda a uma fotografia de qualquer senhorita muito bela vem escrito: 'Quando vocês terão isto de novo? Não morram idiotamente na guerra. Entreguem-se às patrulhas alemães e venham descansar nos nossos campos de prisioneiros, onde há boa comida e bom tratamento.' Folhetos mais ou menos semelhantes são jogados sobre as linhas americanas e inglesas do 5° e do 8° Exércitos."

* * * *
"Meu colega Francis Hallawey, da BBC, perguntou ao cabo alemão o que ele achava dos brasileiros. Ele respondeu: - São muito violentos e agressivos. Lá na nossa frente, os tenentes e os sargentos nos avisam diariamente para termos muito cuidado com os brasileiros."

27.7.06

O MARTELAR INTERMITENTE
"Pois aqui estou eu sozinho na enorme cidade subvertida, ferida de morte, invadida e estuprada de dias cinzentos e empoeirados que cheiram a gasolina e a pus, a grande cidade talada pela guerra. Aqui estou eu sem amigos e sem direção. Então, num lampejo, tudo me pareceu adulto - inclusive eu. Era isto: tudo amadurecera subtamente - a cidade, a noite, eu, os próprios meninos (numerosos e barulhentos como um enxame de abelhas famintas) que me perseguiam de mãos estendidas, sujos, insistentes, um bando sem fim de pquenos espantalhos. Tudo está maduro, à espera da morte"

* * * *
"Ando por corredores compridos, atravesso dormitórios mergulhados na penumbra ou iluminados por uma luz difusa e velada, ouço distante o som de um disco; e já agora, bem próximo, o martelar intermitente de uma máquina de escrever. O sargento levanta a lona verde que serve de porta, deixa que eu passe, empurra de qualquer jeito minha bagagem para o aposento - e lá dentro estão meus amigos Rubem Braga, do Diário Carioca, Egydio Squeff, de O Globo, e Raul Brandão, do Correio daManhã. É uma chegada inesperada, e posso perfeitamente reconstituir a atitude e postura de todos quando cheguei: Squeff batendo vagarosamente numa portátil, Brandão sumido sob uma tonelada de cobertrores e Braga, na cama, Debruçado sobre um amapa enorme do tamanho de um lençol"

26.7.06

A CHEGADA A NÁPOLES (OU SERIA SALVADOR?)
"Bem, meu nome é joel Silveira, jornalista de 26 anos e estou indo para a guerra. Voltarei? Lembro-me das palavras de Assis Chateaubriand, meu patrão, quando dele fui me despedir, já devidamente fardado: 'Seu silveira, me faça um favor de ordem pessoal. Vá para a guerra mas não me morra. Repórter não é para morrer, é para mandar notícias.' Prometi obedecer cegamente as suas ordens, e tenho de cumprir a promessa"

* * * *
"Estamos diante de uma Nápoles nublada e triste. Vejo-a assim, amarfanhada e encolhida, mas penso comigo mesmo que se houvesse sol ela bem poderia ser Salvador"

* * * *
"Escrevo rapidamente esta reportagem precisamente quando o General Meigs inicia as manobras de atracação. Os últimos avisos e ordens já estão sendo transmitidos pelas várias e possantes bocas dos alto-falantes - algumas em inglês, a maioria em português e todas resumem uma só orientação: a de como a tropa de mais de 6 mil homens deve se comportar quando do desembarque; e, sem seguida, quando de sua permanência no cais, sob chuva fria"

A VÍBORA
É de Assis Chateaubriand as aspas (Vá, mas não me morra") que abrem o post do dia 21/07 . Dita em 1944, a recomendação tinha como alvo um jovem repórter de 26 anos a quem o barão das comunicações chamava de "víbora" do jornalismo. Seu nome era Joel Silveira e, quando ouviu as palavras de Chatô, estava embarcando para a Itália, onde mergulharia, após uma extenuante viagem cortando o Atlântico, no inferno da Segunda Guerra Mundial. No front, acompanhando os pracinhas da bravia Força Expedicionária Brasileira (FEB), testemunharia os horrores do conflito mundial, dividindo as disputadas trincheiras com outros correspondentes como o genial Rubem Braga. Sobre a sua experiência na Europa, Joel Silveira costuma dizer: "Eu fui para a guerra com 26 anos, fiquei lá dez meses e 11 dias, e voltei com 40 anos. A guerra me fez adulto".

Joel é uma figura sensacional. Sua prosa ao mesmo tempo sensível e mordaz não deve nada aos grandes escritores brasileiros. Com quase 90 anos de idade, vítima de uma catarata que lhe impede de ler (sua maior paixão), a velha víbora é uma lenda viva do jornalismo, além de ser um dos precursores do chamado "jornalismo literário". Sua cobertura da Guerra para os Diários Associados resultou, anos mais tarde, no livro O Inverno da Guerra (Ed. Objetiva). Um livro belíssimo que muitas vezes fica escondido nas estantes das grandes livrarias. Um crime!

Portanto, a partir de hoje, gostaria de dividir com vocês, através de uma série de posts, alguns trechos dessa correspondência brilhante que destaquei ao longo da leitura. Espero que gostem. Lembrando que os trechos não substituem o fascinante mergulho nas linhas do autor, batidas à máquina direto do sangrento front.

25.7.06

ENTÃO
Eu tinha um post pra hoje, mas o computador do trabalho está de SACANAGE comigo. Em casa, como disse, tou offline, portanto impossibilitado de postar. Infelizmente. É uma pena. Mesmo. Queria muito de lá pra cá mandar as mal tecladas. Inda mais hoje, que tive uma idéia bacana pra uma série de posts. Acho que amanhã ela vai ao ar. É só o computador cooperar. E ele há de fazê-lo.

Around Venus é picareta mas é do bem.

;)

21.7.06

"VÁ, MAS NÃO ME MORRA!"
O historiador Andrew Carroll é um aficionado pelos relatos militares feitos por combatentes direto do front, no calor dos fatos. Sua paixão rendeu-lhe
diversos livros elogiados pela crítica. Autor de títulos como "Behind The Lines" e "War Letters: Extraordinary Correspondence from American Wars" ("Cartas de Guerra: Correspondência Extraordinária das Guerras Americanas", tradução livre), Carroll se debruça mais uma vez sobre fragmentos de cartas e diários de soldados americanos e prepara o lançamento de seu próximo trabalho: " Operation Homecoming". O livro é resultado de um intenso trabalho de pesquisa em cima das anotações dos militares que serviram nas recentes guerras do Iraque, Afeganistão e no combate ao terrorismo ao redor do mundo. O lançamento está marcado para o dia 12 de setembro. Contudo, já é possível ler alguns relatos nesta apresentação de 30 minutos produzida por Matt Dellinger, publicada pela The New Yorker Magazine.

11.7.06

TÁ SE UZÂNU
Depois da faixa/cinto um palmo acima do umbigo e imediatamente abaixo da maminha (troço mais esquisito!), a moda agora é andar por aí descalço, mostrando as imperfeições dos dedos dos pés. Até a Britney Spears já embarcou nessa. No caso da loura, parece que se cansou de mostrar somente as imprefeições da bunda. Bunda estranha. E como. Mais detalhes por Lauren Collins.

10.7.06

Quando ela, braços enlaçados, deita a cabeça no seu ombro e, de olhinhos fechados, respira de leve no seu pescoço, tudo faz sentido.

FECHANDO O CAIXÃO

O maestro mostrou que além de jogar um futebol bonito de se ver, sabe usar como poucos a cabeça.

Já Ronaldo, como é sabido, faz jus à sua fama de comedor.

6.7.06

PYONGYANG NÃO É HAVANA
“Nós mantemos a revolução à nossa maneira, de acordo com nossa convicção em meio a esta situação complicada e conflitante, já que possuímos um poder militar revolucionário e invencível, mesmo para os imperialistas dos EUA.”

As aspas vêm da Coréia do Norte, numa clara provocação aos Estados Unidos. As ogivas intercontinentais, lançadas feito flexas incandescentes, continuam a cair no Mar do Japão. E o mundo, de forma melancólica, assiste à mais uma crise dos mísseis.

Artemii Lebedev é um conhecido web-designer. Russo, criado durante anos sob a égide do comunismo, recentemente viajou à Coréia do Norte. Impressionado com esse que é um dos últimos bastiões do comunismo, documentou o que viu.

"Ao chegar no país você será acompanhado de um guia e um motorista que não se afastarão de você durante toda a sua visita. Você não poderá sair o hotel por conta própria. No quarto, alguns canais de TV são permitidos: BBC (inglês), NTV (russo) e outros poucos chineses, de modo que você não pode reclamar muito da liberdade de expressão. A comida é boa e você também não pode reclamar disso. Porém, ao avistar uma senhora nativa agachada catando ervas em um parque, o guia me disse que era para alimentar os coelhos. Mas era óbvio que a senhora catava o mato para ajudar na sua própria alimentação."

Seu belo registro, feito às escondidas, está
nesse site. A maioria das fotos é durante o dia, já que após as 23h a luz da cidade é cortada. Apagão na Coréia é regra.

Mais fotos
aqui.

5.7.06

SILVIO SANTOS VINHA AÍ

Ano eleitoral. Uma chatura. De um lado, disputando a cadeira de líder máximo da nação, um membro do Opus Dei. Doutro, em posição privilegiada concorrendo à reeleição, um analfabeto que é no mínimo omisso (há quem o identifique como chefe de quadrilha, bêbado, populista... Adjetivos não faltam). Os outros personagens do circo você conhece. E são sempre os mesmos. Umas bestas.

E em 1989 não era diferente. O ano da primeira eleição direta que se realizaria no Brasil após décadas de ditadura trazia uma enxurrada de candidatos. Todos atrás das migalhas deixadas pelos militares. Os mais de 20 nomes na cédula eleitoral era a confrimação do ótimo negócio. Do lado oposto, um país inteiro nadando em esperança. Dentre os candidatos a salvar a pátria, medalhões como Brizola, Ulysses e Maluf. Os nanicos eram muitos também, como Marronzinho e o estreante Enéias Carneiro. Os mais fortes eram Fernando Collor e Lula, uma disputa acirrada. Corrêa era um dos muitos que não tinham qualquer expressão. Desacreditado da vitória, pôs à venda a sua candidatura. Era um pragmático.

Menos de um mês antes das eleições, a reviravolta. A bandinha do maestro Zezinho, um coro de mil vozes desafinadas, e Silvio Santos surge com seu sorriso largo no meio da multidão. Em cima do carro, braços abertos como o Redentor, saúda o populacho como Porfírio Diaz de Terra em Transe. A vaga de Corrêa havia sido comprada pelo dono do SBT. Em menos de uma semana, um salto homérico nas intenções de voto. E como era bonito ver o Patrão no horário político. Falando às colegas de trabalho, não tinha para ninguém. A lousa reproduzindo a cédula eleitoral, trejeitos de quem vende sonhos indicavam um "x" que devia ser posto ao lado do nome do Corrêa. Simples assim e Silvio Santos viraria presidente da república. E não era piada.

A Justiça Eleitoral interveio. Candidatura embargada. A disputa voltou a ficar entre Fernando Collor e Lula. Collor venceu e o resto é história.

Não acredita? Então assista ao
vídeo da campanha de Silvio Santos e chore.

3.7.06

VIDEO KILLED THE RADIO STAR
Os 100 melhores videoclipes, segundo a Pitchfork. O primeiro é "Take on me", do A-ha. O último você descobre nevegando no site, porque eles tiveram o trabalho de montar a lista.

"Coffee & TV" (Hammer & Tongs, 1999), do Blur não ficou de fora. E uma das razões para gostarmos do vídeo, segundo Stephen M. Deusner, crítico musical da terra do Jack Daniel's, cujas linhas são publicadas pelo Memphys Flyer, popmatters.com e pitchforkmedia.com, é que "o clipe é todo Graham Coxon e nada Damon Albarn". É uma boa definição. Coxon, como é sabido, é o introspectivo guitarrista egresso do Blur. Em carreira solo, ganhou status de cult e já lançou ótimos discos que podem ser encontrados com facilidade rede afora. Jonny Greenwood, da enjoada Radiohead, paga um pau danado pro rapaz.

Tem aberrações na lista também. "Hello" (Bob Giraldi, 1984) do Lionel Richie (lembra do
Lion Man? Igual!) é uma delas. Segundo David Raposa, do Village Voice, esse poderia ser o Plan 9 from Outer Space dos videoclipes. Ed Wood fazendo escola, mané.

Vai lá que que tá assim de vídeo pra você que não faz nada assistir.

HITLER É UM GATO
Bichanos que são os cornos de Hitler. Cora Rónai que não nos ouça.